Entre torneio feminino Sub 15, projetos sociais, clínicas, ações pela cidade e homenagens no Maracanã, modalidade ganhou destaque durante a primeira semana da NFL no Rio de Janeiro
O primeiro NFL Rio Game entrou para a história do futebol americano no Brasil. Para o Flag Football brasileiro, porém, a importância da semana foi muito além da partida entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys no Maracanã.
Entre os dias 20 e 27 de setembro, a NFL ocupou diferentes pontos do Rio de Janeiro com eventos, ações comunitárias e experiências para os fãs. E o flag esteve presente em boa parte dessa programação.
A modalidade apareceu na base feminina, em projetos sociais, clínicas promovidas por franquias da NFL e, no domingo, dentro do próprio Maracanã, com atletas brasileiros participando de momentos especiais da partida.
A semana terminou com um dos episódios mais simbólicos dessa aproximação: Ester Alencar, ex-quarterback da Seleção Brasileira Feminina e treinadora com passagem pelo Tampa Bay Buccaneers, participou do coin toss ao lado de Neymar.
A semana começou com o flag
A programação esportiva começou no domingo anterior ao Rio Game, dia 20, com o Nacional NFL Flag Feminino Sub 15, realizado no Rio de Janeiro.
A competição reuniu 16 equipes de diferentes regiões do país e terminou com o bicampeonato da AEVA Manaus, que venceu a 4Fun por 13 a 12 em uma final decidida no último segundo.

Com o título, a equipe conquistou a vaga para representar o Brasil no Campeonato Intercontinental NFL Flag, que será disputado em novembro, no México.
Além da definição da representante brasileira, o torneio reforçou uma das frentes importantes para o crescimento da modalidade no país: a formação de meninas desde as categorias de base.
O flag também ocupa papel central nos projetos de expansão da NFL no Brasil. Durante o NFL Media Summit realizado no Maracanã, a liga destacou que suas iniciativas relacionadas à modalidade já alcançam mais de 11 mil jovens no país.
NFL amplia apoio a projetos sociais no Brasil
Outro anúncio importante aconteceu durante a semana.
Por meio do Inspire Change International, a NFL anunciou um investimento de quase US$ 160 mil em quatro projetos comunitários brasileiros que utilizam o flag football como ferramenta de desenvolvimento de crianças e jovens.

As iniciativas envolvem a Fundação Gol de Letra, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Fundação Eprocad, em Santana de Parnaíba, e a UmRio, em Niterói.
Segundo as informações divulgadas, os projetos devem beneficiar diretamente quase 700 crianças e jovens e alcançar mais de 3 mil participantes no total, combinando esporte, educação, liderança e desenvolvimento social.
O investimento mostra como a modalidade vem sendo usada pela NFL não apenas para formar novos praticantes, mas também como porta de entrada para programas comunitários no país.
Franquias promovem clínicas e experiências de flag
A programação também contou com ações realizadas diretamente pelas franquias da NFL.
Dallas Cowboys e Baltimore Ravens promoveram clínicas comunitárias antes do jogo, aproximando jovens brasileiros, projetos sociais e profissionais do esporte das equipes que protagonizariam a partida no Maracanã.
Miami Dolphins e New England Patriots também realizaram atividades de flag football no Rio, ampliando o contato de crianças, adolescentes, atletas e treinadores com profissionais ligados às franquias.
Ao longo da semana, clínicas, vivências e projetos ajudaram a colocar o flag como uma das principais conexões entre a NFL e a prática esportiva no Brasil.
O Rio entrou no clima da NFL
Enquanto as atividades esportivas aconteciam, a liga também espalhava sua marca pela cidade.
Diferentes pontos do Rio receberam instalações e experiências relacionadas ao NFL Rio Game. A Praia de Botafogo ganhou uma bola gigante da NFL, a Lagoa Rodrigo de Freitas recebeu um enorme capacete e Copacabana teve uma escultura temática.

(NFL International)
O público também pôde ver de perto o Troféu Vince Lombardi e os anéis das 60 edições do Super Bowl, além de participar de experiências, lojas oficiais e outras ativações ao longo da semana.
No domingo, a programação seguiu nos arredores do Maracanã com atividades interativas e entretenimento antes do kickoff.
Em meio a toda essa mobilização, o flag apareceu de forma constante, tanto nas ações voltadas ao desenvolvimento da modalidade quanto nos eventos direcionados ao público.
Do NFL Flag internacional ao gramado do Maracanã
No domingo, essa conexão chegou ao principal palco da semana.
Os jovens do Sorocaba Braves Academy, que representaram o Brasil no NFL Flag Championships deste ano e conquistaram o quarto lugar na competição internacional, participaram da entrada do Dallas Cowboys no gramado do Maracanã.

Depois, ao final do primeiro quarto, retornaram ao campo para uma homenagem ao lado das Seleções Brasileiras Feminina e Masculina que representaram o país no Mundial de Flag Football de 2026, em Düsseldorf, na Alemanha.
O momento reuniu diferentes gerações da modalidade.

De um lado, jovens atletas que já começam a acumular experiências internacionais. Do outro, jogadores das seleções adultas que representam o Brasil nas principais competições mundiais.
Todos apresentados ao público durante a primeira partida de temporada regular da NFL realizada no Rio de Janeiro.
Ester Alencar no coin toss
Antes mesmo do início do jogo, outro momento chamou atenção de quem acompanha a trajetória do futebol americano e do flag no Brasil.
Ester Alencar participou do coin toss do NFL Rio Game ao lado de Neymar, no centro do gramado do Maracanã.
A presença dela ali carregava uma história que começou muito antes de sua passagem pela Seleção Brasileira de Flag Football.

Ester iniciou sua trajetória no futebol americano, aos 17 anos, e logo passou também a atuar como treinadora. Ao longo dos anos, construiu experiência tanto no tackle quanto no flag, trabalhando com equipes masculinas e femininas e também com seleções brasileiras.
Como atleta, foi quarterback da Seleção Brasileira Feminina de Flag Football e disputou competições internacionais pelo país.
Como treinadora, sua carreira ganhou um capítulo importante em 2024, quando foi selecionada para a primeira turma do Tampa Bay Buccaneers National Coaching Academy, programa criado pela franquia para abrir caminhos a profissionais que buscam oportunidades como treinadores dentro da NFL.
Durante a experiência, Ester teve contato direto com a estrutura dos Buccaneers e trabalhou junto à comissão técnica durante o rookie minicamp.
Pouco depois, foi uma das cinco profissionais escolhidas entre os participantes para retornar à franquia durante o training camp. Ester integrou o Bill Walsh Diversity Coaching Fellowship, programa da NFL que oferece a treinadores a oportunidade de acompanhar e participar do trabalho das comissões técnicas durante a preparação das equipes.
Na mesma temporada, também passou pela comissão técnica do Gettysburg College, no futebol americano universitário dos Estados Unidos.

Hoje, segue construindo sua carreira como treinadora no Brasil, integrando o T-Rex, de Timbó, Santa Catarina, uma das equipes mais tradicionais do futebol americano nacional.
Por isso, sua presença no coin toss representava mais do que a participação de uma ex-atleta da Seleção Brasileira.
No centro do Maracanã estava uma profissional cuja trajetória atravessa diferentes momentos do esporte no país: começou no futebol americano, chegou à Seleção Brasileira de Flag, trabalhou dentro da estrutura de uma franquia da NFL e segue hoje à beira do campo como treinadora.
Ao seu lado estava Neymar. À frente, jogadores de Cowboys e Ravens. Ao redor, o Maracanã recebendo seu primeiro jogo de temporada regular da NFL.
Para quem acompanha essa história há anos, foi uma das imagens mais marcantes da noite.
Ravens vencem duelo decidido no último segundo
Dentro de campo, o primeiro NFL Rio Game também entregou uma partida memorável.

Baltimore Ravens e Dallas Cowboys chegaram aos últimos segundos empatados em 31 a 31.
Quando o relógio zerou, o kicker Tyler Loop acertou um field goal de 56 jardas e garantiu a vitória dos Ravens por 34 a 31.

O confronto marcou a primeira partida de temporada regular da NFL realizada no Rio de Janeiro e a terceira da liga no Brasil, depois das edições disputadas em São Paulo em 2024 e 2025.

Para o Flag Football brasileiro, porém, a história daquela semana começou muito antes do kickoff.
Começou com meninas disputando um título nacional. Passou por projetos sociais, comunidades, clínicas e ações de desenvolvimento. Chegou às seleções brasileiras e aos jovens do Sorocaba Braves no gramado do Maracanã.
E teve uma ex-quarterback da Seleção no centro do campo, participando de um dos momentos mais tradicionais de uma partida da NFL.
Durante uma semana inteira, o flag esteve espalhado pelo Rio.
No domingo, o Flag Football brasileiro não esteve apenas assistindo à festa da NFL.
Fez parte dela.


