Internacional

Dia 1 do Mundial de Flag: Brasil disputa quatro jogos na estreia em Düsseldorf

Foto: Grasiela Gonzaga/Flag Football Brasil

Seleções feminina e masculina enfrentaram Japão, Canadá, Suíça e México no primeiro dia da fase de grupos

O primeiro dia do Campeonato Mundial de Flag IFAF 2026 reuniu quatro jogos do Brasil em Düsseldorf — dois da seleção masculina, dois da feminina.

A estrutura do Mundial

Antes de falar dos jogos, vale registrar o que chamou atenção de quem está no local: a estrutura do Mundial de Düsseldorf impressiona. A organização e os campos têm padrão de evento profissional, próximo do que se vê em jogos da NFL, com atenção especial ao torcedor. É um reflexo do investimento que o flag football vem recebendo, com resultado direto na experiência de quem joga e torce.

Feminino: Japão e Canadá no Grupo D

O Brasil estreou no Mundial contra o Japão, logo na primeira rodada do dia, e depois enfrentou o Canadá. O placar foi 32 a 0 para o Japão e 26 a 6 para o Canadá.

Contra o Japão, a defesa manteve o placar em 6 a 0 até perto do intervalo, com destaque para a atuação de Karoline “Giga” Furoni. No fim do primeiro tempo, o Japão converteu um drive longo e ampliou a vantagem antes do descanso; no segundo tempo, uma interceptação ampliou ainda mais a diferença. No ataque, a equipe testou diferentes combinações ao longo do jogo, mas teve dificuldades em converter as jogadas. Lara Torelli, uma das referências do ataque, apontou “o básico bem feito” como o principal ponto a desenvolver para os próximos jogos.

Contra o Canadá, a seleção teve uma atuação mais consistente na defesa, o que deu mais equilíbrio ao jogo. O setor ofensivo, por sua vez, conseguiu avançar um pouco mais a bola e marcar o primeiro touchdown do Brasil no campeonato, resultando nos únicos pontos da seleção no dia. O Canadá chega a este Mundial com um processo de profissionalização recente, visível desde o último confronto entre as seleções, em 2023.

Destaque do dia: Julia Meller. Em sua estreia pela seleção, chamou atenção na defesa, numa posição que exige deslocamento rápido entre os dois lados do campo.

Masculino: Suíça e México no Grupo C

A seleção masculina enfrentou Suíça e México, com resultados de 52 a 19 e 38 a 25, respectivamente — placares que, segundo a leitura de quem acompanha o time de perto, não refletem por completo o nível de competitividade dos dois jogos.

Contra a Suíça, o ataque brasileiro teve boa produção e um primeiro tempo equilibrado. No segundo tempo, o time optou por jogadas de mais risco, o que resultou em uma interceptação, mas a atuação ofensiva foi um dos pontos positivos da partida. O técnico Heitor Medeiros comentou, em entrevista após a partida, que pela primeira vez sentiu o Brasil aproveitando erros do adversário — um cenário historicamente inverso.

Contra o México, essa evolução ficou ainda mais evidente: o Brasil teve um ataque produtivo e uma defesa mais sólida, cedendo menos pontos do que havia cedido à Suíça. Parte da explicação está na chegada de um coordenador ofensivo mexicano à comissão técnica, com conhecimento do esquema defensivo do México, o que ajudou a equipe a identificar oportunidades em campo. O Brasil esteve à frente do placar durante boa parte do primeiro tempo.

Destaque do dia: o coordenador ofensivo, apontado como responsável por mudar a forma como o Brasil masculino ataca, com recursos pouco vistos antes na seleção. Entre os jogadores, Renato despontou como opção versátil na red zone — capaz de lançar, correr e receber —, e Adner, Mateus e Ian também tiveram contribuições importantes.

O nível do Mundial e o aprendizado do Brasil

Este Mundial, com 16 seleções, tem um formato diferente da edição de 32 times disputada na Finlândia, em 2024. Nesta edição, o Brasil entra como azarão na maioria dos confrontos. A avaliação é a de que o nível de organização, comissões técnicas e atletas está elevado em várias seleções, o que torna o torneio uma oportunidade de aprendizado para o desenvolvimento do programa brasileiro.

Esse aprendizado também passa pela possibilidade de conhecer e se inspirar em outros modelos de desenvolvimento do esporte ao redor do mundo — caso da Austrália, que trouxe um elenco jovem e encara o Mundial como preparação para sediar os Jogos Olímpicos de 2032, ou de seleções com pouca presença nos torneios que o Brasil costuma disputar, como China e Samoa Americana.

O que vem por aí

Nesta quinta-feira (13), o Brasil fecha a fase de grupos: a seleção feminina enfrenta o Panamá, adversário já conhecido das atletas brasileiras, e a masculina pega a anfitriã Alemanha, que vem em ritmo crescente dentro do campeonato e deve contar com forte apoio da torcida local.

À tarde, começam os jogos de posicionamento (placement), que definem a sequência do torneio. No feminino, o cruzamento deve ser contra China ou França, a depender de outros resultados do grupo. No masculino, os possíveis adversários são Panamá, Grã-Bretanha ou França, dependendo de como o Brasil terminar o Grupo C.

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